O mal moral em Kant.
Pesquisador: Aguinaldo A. C. Pavão
Orientador(a): Prof. Dr. Marcos Lutz Müller
Instituição: Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Departamento/Programa: Filosofia / Programa de Pós-Graduação
Palavras-chave: mal radical - liberdade - imputabilidade moral - filosofia moral - filosofia crítica
Resumo: Em que pese a possibilidade de se pensar, a partir de recursos conceituais internos à Fundamentação da Metafísica dos Costumes e Crítica da Razão Prática, a liberdade das ações imorais, deve-se admitir que Kant não é claro quanto ao problema da imputabilidade das ações nestas duas obras. Na verdade, a possibilidade de entendê-las se estriba numa interpretação que apresenta por Kant o que ele não apresentou. Acredito que a noção de mal radical desenvolvida na primeira parte Religião dentro dos Limites da Simples Razão é a formulação que alcança maior clareza na tentativa de compreender a imputabilidade moral. Assim, tratarei, na primeira parte da tese, de reconstruir e analisar o conceito de mal radical. Na segunda parte, argumentarei que a noção de mal radical não diz respeito à tematização específica da religião. Pretendo mostrar que o recurso de Kant à noção de mal radical representa um desenvolvimento de sua filosofia moral. Isto considerado, duas alternativas devem ser avaliadas. Uma a que defende que o mal radical poderia ser explicado pela ênfase antropológica que Kant daria, a partir de um certo momento, em sua reflexão prática. Outra a que apregoa que o mal radical representaria mesmo um reconhecimento do tratamento insuficiente dado por Kant à relação entre liberdade e moralidade. Kant tentaria, portanto, na primeira parte da Religião, pensar com mais consistência a imputabilidade moral. A pesquisa se inclina favoravelmente à segunda alternativa.
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