Kant e o problema da significação
Pesquisador: Daniel Omar Perez
Orientador(a): Prof. Dr. Zeljko Loparic
Instituição: Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Departamento/Programa: Filosofia / Programa de Pós-Graduação
Banca: Prof. Dr. Oswaldo Giacóia Júnior, Prof. Dr. Zeljko Loparic, Prof. Dr. Valério Rohden, Prof. Dr. Guido de Almeida
Palavras-chave: Kant - semântica - significação - proposições - linguagem
Resumo: Abordaremos a tarefa da filosofia kantiana a partir da pergunta pela possibilidade das proposições sintéticas. Deste modo, indagaremos as operações que permitem a significação dos conceitos usados na formulação de proposições. Isto é, apresentaremos os processos de doação de significação outorgada aos conceitos que constituem os diferentes tipos de proposições (cognitivas, morais, estéticas e teleológicas) possibilitando seu sentido e a formulação adequada de problemas. Seguindo esse fio condutor, estaremos em condições de mostrar que a tarefa kantiana torna-se uma atividade desarticuladora/doadora de sentido, realizando o trabalho crítico contra a metafísica tradicional e elaborando campos semânticos para os diferentes tipos de proposições. Para verificar esse labor precisaremos reconstruir os problemas do significado dos conceitos que Kant levanta desde os textos pré-críticos e que só poderá explicitar sistematicamente nos textos críticos. Isto nos levará a apresentar dois aspectos dessa atividade como subproblemas: 1- a preocupação kantiana pelo sistema, isto é, que significa sistema no texto kantiano no seu duplo aspecto, por um lado, como se desenvolve a questão do sistema da metafísica e, por outro lado, como a crítica é uma atividade sistemática que pergunta pelo significado. 2- a questão de como se estabelece aquilo que existe em relação com os conceitos de cada tipo de proposição, isto é, do que significa existir, não apenas como posição, mas como efetividade dos conceitos ou aquilo ao qual o conceito se refere. A preocupação pelo sistema, que se demora na busca da significação dos conceitos e, portanto, na sua validade, adia indefinidamente a elaboração do tratado de metafísica (que Kant promete desde os primeiros textos, mas nunca redige) e transforma a atividade crítica numa pesquisa sobre os modos de existir, do teórico, do prático, do belo, do sublime, do orgânico e até mesmo do sistêmico. Esta pesquisa parte dos resultados da semântica kantiana desenvolvida por Zeljko Loparic para, por um lado, regredir para os textos pré-críticos, apresentando os estudos fragmentários sobre o significado dos conceitos, com o intuito de mostrar como a questão semântica é possível de ser formulada na etapa crítica, como desarticuladora/doadora de sentido, e, por outro lado, avançar sobre os textos críticos apresentando, sem esgotar sua riqueza, dois desdobramentos importantes, um é a questão do sistema como atividade sistemática, o outro a dos modos de aparecer.
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