Conceito e crítica: estudo sobre a gênese do conceitualismo kantiano
Pesquisador: Joãosinho Beckenkamp
Orientador(a): Prof. Dr. Zeljko Loparic
Instituição: Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Departamento/Programa: Filosofia / Programa de Pós-Graduação
Banca: Prof. Dr. Marcos Lutz Müller, Prof. Dr. Oswaldo Giacóia Júnior, Prof. Dr. Guido de Almeida, Prof. Dr. Fausto Castilho
Palavras-chave: crítica - conceito - Kant - criticismo - transcendental
Resumo: A tese de doutorado propunha-se como objeto de estudo a gênese do conceitualismo kantiano que, em poucas palavras, pode ser apresentado na tese de que "nosso entendimento não é uma faculdade de intuição, apenas uma faculdade discursiva ou de pensamento." (Von einem vornehmen Ton, A392; AA VIII, 391) Nela se considerava que o estudo de um programa conceitualista em filosofia tem de levar em consideração dois momentos essenciais: 1. a concepção de conceito e de juízo que permite fundamentar a pretensão de que se tem conhecimento de objetos por intermédio de conceitos empregados em atos judicativos; 2. o modo de tratar os diversos problemas colocados pela tradição do pensamento filosófico, partindo da restrição das operações cognitivas aos recursos disponíveis a um entendimento discursivo. Coerente com isso, a investigação que resultou na tese abordava ambos os momentos em sua gênese, tratando, por um lado, da formação de uma nova concepção de conceito e de juízo no jovem Kant e rastreando, por outro lado, o impacto desta nova concepção no tratamento de problemas propriamente filosóficos, em particular metafísicos. O estudo abre com um capítulo introdutório, de cunho sistemático, no qual se procura situar o conceitualismo kantiano no âmbito do programa de uma crítica da razão pura. Partindo da idéia do todo ou da idéia do sistema para as partes, apresenta-se o programa da crítica da razão pura como se propondo a traçar o plano fundamental do sistema da razão pura e se expõem as funções elementares que a crítica da razão pura deve levar a cabo (1.2.). Em seguida, investigam-se os fundamentos da própria crítica, localizando entre eles o conceitualismo ou a idéia de que todo conhecimento humano é discursivo ou conceitual (1.2.2.). esse mesmo conceitualismo é estudado brevemente com base nos textos maduros de Kant (1.3.). Estabelecido em linhas gerais o que vem a ser o conceitualismo kantiano e qual seu papel no âmbito da crítica da razão pura, passa-se em seguida ao objeto propriamente dito deste estudo, ou seja, à reconstituição da gênese do conceitualismo kantiano, seguindo-se para tanto basicamente uma ordem cronológica que vai do início dos anos 1760 até meados dos 1770. A par desta ordem cronológica, resulta, no entanto, uma ordem sistemática inversa à do capítulo introdutório, remontando-se dos elementos do conceitualismo kantiano ao programa de uma crítica da razão pura. Os capítulos 2, 3 e 5 estudam, assim, a formação da concepção especificamente kantiana do conceito e do juízo, enquanto os capítulos 4 e 6 investigam a formação do programa da crítica da razão pura a partir dos pressupostos conceitualistas assumidos por Kant ao longo de seu desenvolvimento. Após a reconstituição da concepção de conceito e juízo do início dos anos 1760, aborda-se no quarto capítulo a relação entre lógica e metafísica até a Dissertatio de 1770, no intuito de detectar os efeitos desta nova concepção de conceitos, juízos e métodos sobre as reflexões de Kant no âmbito da metafísica e da moral, que sempre foi seu principal interesse. O quinto capítulo retorna, então, à concepção de conceito e juízo, mostrando, sobretudo a partir das reflexões sobre lógica e metafísica, que Kant chega por volta de 1770 a uma posição decididamente conceitualista, a qual será, doravante, mantida e defendida, constituindo mesmo o grande desafio em virtude de suas conseqüências para a metafísica e a moral. A posição conceitualista atingida por Kant neste período se caracteriza basicamente por três teses interligadas: a. todos os conceitos são universais (tese da universalidade dos conceitos); b. os conceitos não têm outro uso senão em juízos (tese da natureza predicativa dos conceitos); c. por necessitar da mediação conceitual, todo nosso conhecimento é discursivo (tese da discursividade do conhecimento humano). O sexto e último capítulo estuda, por fim, a constituição do programa de uma crítica da razão pura à luz da posição conceitualista atingida por Kant em volta de 1770, analisando para tanto reflexões e cartas de Kant durante aquela "década de silêncio" que antecede a Crítica da Razão Pura.
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