A resposta de Kant ao problema de Hume
Pesquisador: Túlio Sales Souza Lima
Orientador(a): Prof. Dr. Juan Adolfo Bonaccini
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Departamento/Programa: Filosofia / Programa de Pós-Graduação
Banca: Prof. Dr. Jesus Vazquez Torres, Prof. Dr. Cláudio Ferreira Costa
Palavras-chave: Crítica da Razão Pura - filosofia transcendental - metafísica - ontologia - causalidade - conjunção - conexão - natureza - giro copernicano - Prolegômenos
Resumo: Este trabalho tem o propósito de fazer uma interpretação textual da resposta de Kant ao problema de Hume, defendendo que ela se dá no contexto de uma metafísica da natureza. Por natureza, Kant entende o encadeamento dos fenômenos, quanto à sua existência, segundo leis postas pelos juízos sintéticos a priori a partir dos quais a própria natureza e a experiência são possíveis. Assim a experiência no sentido crítico é, sobretudo, a fundamentação da experiência científica a que Newton atribuía, por exemplo, um valor irrestrito. Disto parece decorrer que a experiência não é mais puramente receptiva no sentido reconhecido pelo pensamento de Hume. A experiência no sentido atribuído pela filosofia transcendental é apenas receptiva no que se refere à sensibilidade, porém não no que se refere ao entendimento. Em que pese a enorme distância conceitual entre Kant e Hume, nosso objetivo na presente dissertação é tematizar como a análise de Kant do princípio de causalidade (conexão) supera a de Hume (conjunção). Isto pode ser evidenciado principalmente pelo sentido do giro copernicano, cuja expressão transcendental procura desincompatibilizar-se das visões ontológicas anteriores, condição indispensável para reconduzir a metafísica à via segura da ciência. Sendo assim, a própria estrutura da Crítica da Razão Pura e dos Prolegômenos, acrescida do seu explícito cunho metodológico quanto à modificação, reordenamento e priorização das faculdades cognitivas, nos convence da superioridade conceitual da análise kantiana, mormente se nos detivermos mais atentamente nas conotações metafísicas presentes no seu desenvolvimento em detrimento daquelas mais precipuamente epistemológicas. Com base nestas premissas, procuramos interpretar os aspectos mais relevantes da resposta de Kant ao problema de Hume a partir dos passos norteados pela introdução. Em linhas gerais, o problema de Hume é apresentado no primeiro capítulo; nos capítulos seguintes desenvolvemos a resposta de Kant ao problema de Hume: no segundo abordamos a questão em geral, salientando como Kant a interpreta e se propõe a respondê-la; no terceiro abordamos a sua estratégia de solução na Analítica dos Conceitos da Crítica da Razão Pura, enfatizando a Dedução Transcendental das Categorias; no quarto problematizamos a solução oferecida por Kant na Analítica dos Princípios da Crítica da Razão Pura, enfatizando as Analogias da Experiência. Nas Considerações Finais, o argumento de Kant é relacionado às condições de possibilidade de uma metafísica da natureza..
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